O Caminho de Santiago

Sendo-se religioso ou não, muitos têm o sonho de percorrer o lendário caminho de Santiago que, com os seus cerca de 800 quilómetros, atravessa França, Espanha e Portugal. “Todos os caminhos são mágicos se nos levam aos nossos sonhos”, pode ler-se em “O Diário de Um Mago”, o livro onde o escritor Paulo Coelho relata a viagem que fez pelo caminho de Santiago em busca de uma sabedoria ancestral – viagem essa que mudou por completo a sua vida.

Estima-se que, anualmente, cerca de seis milhões de pessoas percorram os caminhos de Santiago. Esta é uma boa forma de ficar-se a conhecer melhor a Península Ibérica, sobretudo a região que une o Minho à Galiza. Por vezes, mais do que chegar ao destino, o importante é o caminho, as aventuras que se vivem, as pessoas que se conhecem, as partilhas, a simplicidade da jornada, a camaradagem. Episódios que ficam para sempre, com um sabor doce e que, muitas vezes, dão um novo sentido à vida.

Se já falou com alguém que tenha feito a peregrinação, sabe que é verdade. Não importa se a caminhada durou oito dias ou um mês, se teve percalços ou contratempos. O que fica é a magia, a riqueza da experiência e a beleza da paisagem.

 

O início

Tudo começou quando, no início do século IX, foi descoberto o túmulo do Apóstolo Santiago na Galiza. Santiago, na verdade, chamava-se Iago e andava a lançar redes no mar da Galileia. Até que, um dia, Jesus Cristo o encontrou e o convidou para ser “pescador de homens”. Com Pedro e João, foi um dos primeiros apóstolos. Depois da morte de Cristo, sabe-se que no ano de 44 se juntou a Pedro em Jerusalém para celebrar a Páscoa. No mesmo ano foi preso às ordens de Herodes Agripa I, senhor da Palestina, que mandou decapitá-lo, tornando-se o primeiro apóstolo a derramar sangue por Cristo. Uma das lendas conta que dois dos seus discípulos roubaram o seu corpo e embarcaram numa barca sem leme nem velas e que, guiados por um anjo, regressaram à Península Ibérica, mais precisamente à atual Galiza.

Descoberto o túmulo, construiu-se um templo e, a partir daí, um sem número de pessoas vai todos os anos em peregrinação até Santiago de Compostela, dando forma às palavras que, segundo o “Códice Calixtino”, o Apóstolo teria dito em sonhos a Carlos Magno: “depois de ti, todos os povos irão em peregrinação até à consumação dos séculos”. E a verdade é que assim tem sido. Só muda o itinerário, porque não há apenas um caminho, há vários. Ao longo dos anos os peregrinos foram estabelecendo rotas mais ou menos fixas, e por isso há dezenas de percursos – alguns deles foram recentemente reencontrados, como o achado de uma rota proveniente da Polónia.

Até 1325, após a morte de D. Dinis, a rainha Santa Isabel peregrinou a Santiago, seguindo uma rota muito semelhante à que hoje é conhecida como o Caminho Português, e que está marcada com setas amarelas, tendo cruzado a ponte de Barcelos.

 

 

O Caminho Português

O Caminho Português, também conhecido como Via Lusitana, é um dos eleitos dos peregrinos para chegar a Santiago de Compostela, só superado pelo famoso Caminho Francês. Está marcado desde a Sé de Lisboa até à Praça do Obradoiro, em Santiago.

Se optarmos por começar o percurso em Lisboa, esperam-nos cerca de 600 quilómetros de viagem, tanto que muitos escolhem partir do Porto (cerca de 230 quilómetros), de Valença do Minho ou de Tui, já na fronteira, pois a partir daqui são cinco dias a pé. Aqueles que pretendem conseguir a Compostela têm de fazer pelo menos 100 km do percurso a pé.

Muitos dos peregrinos optam por fazer um pequeno desvio até ao Santuário de Fátima, antes de seguirem viagem, bem como conhecer Coimbra e perder-se nas suas ruas empinadas, visitar a Universidade e a biblioteca Joanina.

Continuando rumo a norte, vale a pena visitar ou revisitar o Porto e Vila Nova de Gaia, e apreciar as vistas desde o Mosteiro da Serra do Pilar, umas das melhores da Ribeira do Porto. No Porto há muito para ver e fazer, mas porque não descansar e recuperar energia na Livraria Lello, de 1906, considerada uma das mais belas da Europa, senão mesmo do mundo?

A fortaleza de Valência marca o fim do território português e o início do caminho por terras espanholas. Passa-se por Pontevedra, que merece uma visita com paragem obrigatória na Igreja da Virgem Peregrina, padroeira do caminho português. Segundo a lenda, a Virgem teria guiado alguns peregrinos perdidos até Santiago. O formato da igreja é uma concha, símbolo dos caminhantes. O destino final é Santiago de Compostela.

 

O destino: Santiago de Compostela

Chegados ao destino, à capital da Galiza, Património Mundial da UNESCO desde 1985, a sensação é de prova superada. E não podia haver melhor lugar para se chegar, com a sua zona histórica e antiga, a sua catedral barroca, monumentos para todos os gostos e uma vida universitária única. A junção da história, da religião, dos jovens e dos peregrinos confere uma vida única à cidade. Desde o início do século XII, quando o Papa Calixto II concedeu o “Jubileu Pleno do Ano Santo” a Compostela, esta tornou-se Cidade Santa, a par de Jerusalém e do Vaticano.

Visite Santiago de Compostela! Venha connosco!

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