Três Dias em Florença

Medici, Maquiavel, Savonarola – as paredes de Florença testemunharam mais drama, intriga e paixão que uma telenovela. Ainda hoje se conseguem ouvir passos furtivos pelas suas calçadas de pedra e pelas suas ruas estreitas e escutar sussurros nas passagens secretas entre os seus palácios. E vislumbre-se um jardim interior ou entrevejam-se claustros que logo se conseguem imaginar as conspirações tecidas entre ricos e poderosos. Três dias podem não ser suficientes para conhecê-la mas chegam para ficar sob o seu feitiço.

 

 

 

 

 

 

Dia 1

 

Por onde começar nesta cidade em que cada fachada esconde um fascinante museu, cada rua leva a uma deslumbrante igreja pintada com frescos e em que cada viela conduz a uma maravilha arquitetónica? Em primeiro lugar, prosseguindo com muita calma, para que não se torne mais uma vítima da Síndrome de Stendhal, assim chamada por via dos sintomas psicossomáticos que avassalaram o escritor francês, entontecido perante tanta arte e beleza mal aí chegou. Começamos na Piazza Della Signoria. Segundo escavações realizadas, esta praça pública serve de local de reunião desde o neolítico. Foi o local onde Savonarola queimou livros e onde o seu corpo foi mais tarde entregue às chamas. Hoje é como um quadro vivo. Tem apenas de caminhar para conhecer a história florentina: encontrará, por exemplo, o Palazzo Vecchio, uma fortaleza medieval que possui ruínas da época romana e uma sumptuosa coleção de arte e decoração renascentistas. Mas neste primeiro dia aconselhamo-lo a não se deixar levar pelo entusiasmo: ou seja, deixe os Uffizi e a sua esplêndida coleção para amanhã (ainda assim, planeie chegar cedo para evitar filas ou contemple adquirir o Firenze card, que inclui entradas para vários museus e possibilita um ingresso prioritário). Hoje simplesmente passeie e conheça a Piazza Del Duomo, as margens do rio Arno, a Loggia dei Lanzi e todas as ruelas do centro histórico. Quem sabe se não descobrirá assim uma antiga loja feita à medida dos seus sonhos ou aquele restaurante típico que dará uma grande história?

 

Dia 2

 

Como dizíamos, a Galeria dos Uffizi é melhor visitada logo pela manhã. Não só terá menos tempo de espera à entrada como, mais importante ainda, poderá decidir quantas horas quer passar a deambular pelas suas maravilhosas salas, quanto tempo quer ficar a contemplar a Vénus de Botticelli ou outra peça de Caravaggio, Fra Angelico, Raphael ou da Vinci que faça desde sempre parte do seu imaginário. Os Uffizi maravilham quem os visita pela primeira vez, mas continuam a surpreender quem lá torna. É um local onde mesmo o visitante mais experiente encontra sempre algo pronto a surpreendê-lo. A seguir tomamos a direção da Piazza del Duomo. Mas em vez de ficar na fila para subir à cúpula, que até para os mais pacientes é um desafio, opte antes por subir a Torre do Sino e assim gozar de uma bela vista que inclui a da cúpula! E se quiser aproveitar este dia para um grandioso panorama de Florença, aliás, por muitos considerado o melhor, ruma ao Piazzalle Michelangelo (e os mais românticos que não se esqueçam de levar o tradicional cadeado!). Para amantes de escultura sugerimos o Bargello, em que encontra peças de Donatello, Cellini, Della Robbia e, claro, de Michelangelo. Aliás, se sonha ver na pele o famoso David do não menos célebre escultor não pode deixar de entrar na imponente Galleria Dell’Academia.

 

Dia 3

 

Hoje atravessamos o rio pela Ponte Vecchio, claro! Esta estreita e atarefada ponte medieval está coberta de lojas de joalharia e arte e merece a sua visita, mesmo que prefira procurar as suas lembranças de Florença em locais mais inesperados ou até nas lojas dos museus, espaços perfeitos para adquirir souvenirs. Mas de uma ou de outra forma esta passagem é obrigatória. Do outro lado aguarda-o o Palácio Pitti e os Jardins Boboli. É uma escolha difícil, que teremos de deixar a cada um (e ao clima): passear por estes jardins clássicos ou aventurar-se no maior complexo museológico da cidade? Caso opte pela segunda opção advertimos que, também aqui, terá de fazer uma escolha: entre a Galeria Palatina e os museus dedicado à Porcelana, à Prata, ao Traje ou aos Coches é impossível ver tudo num só dia. Mas uma vez que todas as opções são extraordinárias dificilmente terá alguma desilusão (a não ser a de não ter mais tempo!). Além de que, por aí, em Oltrarno (a margem sul do Arno), existem muitos bairros a descobrir, com pequenas praças, mercados e restaurantes charmosos. E é uma forma de ver a cidade através dos olhos de quem lá vive!

 

 

Florença não se esgota claramente nestas praças, igrejas e museus. Existem outras joias museológicas e tantas capelas e ruas a explorar. Sempre na companhia do delicioso gelato local, não se deixe intimidar por listas de quadros, frescos, esculturas e monumentos a ver. Siga o seu instinto, porque nesta cidade italiana tudo é Arte, tudo é Beleza e tudo é História. A começar pela vida de quem a visita.

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