Três dias em Praga

Capital da antiga Boémia, da Checoslováquia e, agora, da República Checa, é seguro dizer que nas ruas e praças de Praga muita história se passou: desde a corte do Imperador Rudolfo II, que foi patrono das ciências mas também do oculto, até à cidade de Franz Kafka, da ocupação Nazi à Primavera de Praga e à Revolução de Veludo, os séculos não foram meigos com esta cidade com perfil de conto de fantasia. A história, aqui, espreita por entre as pedras da calçada. Paradoxalmente, Praga foi também uma das primeiras capitais europeias a converter-se ao turismo de massa do final do século XX, antes de Barcelona ou Lisboa, e hoje oferece tudo o que o visitante ocasional pode esperar de uma moderna cidade europeia: história, originalidade e memória.

 

 

1º dia – História

 

 

A região de Praga atraiu grupos humanos desde o Paleolítico e foi sede de várias tribos germânicas e celtas. A cidade propriamente dita terá sido estabelecida por volta do século X. Estamos perante uma cidade constituída por camadas e camadas de história e tal fica claro quando contemplamos o castelo Hradcany: este complexo de edifícios começou a ser construído no século XIII mas só ficou concluído no século XX. É a metáfora perfeita para uma cidade em constante evolução. Um dos edifícios mais marcantes no castelo é a Catedral de São Vito, um impressionante exemplo de arquitetura gótica. Mas esta é apenas uma das jóias da coroa de Praga.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Ponte Carlos, sobre o rio Moldova, de 16 arcos e ladeada por 30 estátuas barrocas, é outro ex-líbris da cidade e parece ter sido construída a pensar em encontros e desencontros românticos. A cidade velha (Staré Mesto) é talvez o primeiro local onde o visitante coloca o pé e sente um pouco da alma desta metrópole: rodeado pela beleza do Palácio Kinsky, da Catedral Tyn e da Igreja de São Nicolau, e hipnotizado pela dança dos 12 apóstolos no relógio astronómico ao bater de cada hora, deixa-se cair no feitiço deste local único.

 

 

 

 

Os amantes de livros e bibliotecas devem ainda rumar ao Mosteiro Strahov e, mais especificamente, à sua biblioteca, pois não são todos os dias que podemos estar rodeados de 280 mil livros e algumas preciosidades únicas no mundo, como a edição coberta por pedras preciosas dos Evangelhos.

 

 

 

 

2º dia – Originalidade

 

Praga parece sempre ter sido amante de novidades e inovação. Por exemplo, o imperador Rudolfo foi um dos primeiros monarcas europeus a cultivar uma numerosa e diversa menágerie de animais exóticos (com leões a habitar durante algum tempo o castelo), antepassada dos primeiros Jardins Zoológicos. E apesar de uma rica tradição musical própria, a cidade acolheu de braços abertos o jazz chegado à Europa no período entre as duas guerras; ainda hoje a noite é pontilhada por pequenos e grandes clubes dedicados a este género americano que parece ter encontrado aqui uma segunda morada, sem falar na recém-chegada febre do swing, lindy-hop e boogie woogie.

 

 

 

 

 

 

Para conhecer a nova Praga rume a bairros residenciais, como o de Vinohrady, e observe os excecionais exemplos de arquitetura art nouveau, pseudo-barroca e neo-gótica. Esta era uma zona de vinhas e roseirais que só mais tarde se rendeu à habitação. O bairro ‘it’ de Praga é Zizkov, onde estudantes, artistas e músicos criaram um ambiente bem descontraído com ruas polvilhadas de cafés, pubs e galerias. É também o local indicado se quiser fazer compras além dos tradicionais souvenirs do cristal da Boémia, porcelana Goebel, ovos de páscoa pintados à mão ou marionetes; aqui o mote é vintage e singular, acompanhado de uma cerveja artesanal. Fica ainda a merecer uma visita o bairro Malá Strana, onde pode conhecer a Igreja de São Nicolau e o Palácio Wallenstein. A arquitetura barroca data do século XVI, pois um incêndio destruiu a maioria das habitações nessa época. No cimo do Monte Petrin deparar-se-á com duas agradáveis surpresas: um labirinto de espelhos, exuberância do século XIX que faz adultos e crianças sentirem-se num livro de Lewis Carroll, e a Torre Petrin que, com 63 metros de altura, pode ser mais baixa do que a Torre Eiffel (na qual foi inspirada) mas que oferece panoramas que justificam bem a subida de 299 degraus.

 

 

 

 

3º dia – Memória

 

Lembrar o passado para não repetir os seus erros: todos conhecemos a expressão. Aqui, recordar é também uma forma de conhecer melhor esta cidade. O Museu Judeu de Praga foi criado no início do século XX para preservar artefactos das sinagogas demolidas no Antigo Bairro Judeu. Durante a Segunda Guerra Mundial o museu recebeu tal quantidade de objetos rituais de grupos de todo o país que foram necessárias dezenas de armazéns para os acondicionar. Desta forma, o Museu Judeu acabou por ser um repositório não intencional da destruição destas comunidades pelo regime Nazi. O Antigo Cemitério Judeu é outro local que merece uma visita. Devido à proibição de aquisição de mais terrenos, encontramos aqui umas estimadas doze camadas de sepulturas e cerca de doze mil pedras tumulares trabalhadas. No Novo Cemitério Judeu, estabelecido no final do século XIX, encontra a campa do escritor Franz Kafka.

 

 

O Museu do Comunismo retrata outro período negro da história da cidade: durante os anos em que vigorou este regime, 200 mil checos foram presos e muitos foram mortos ao tentar fugir do país. Aqui encontramos a história dos objetos do quotidiano dessa época, testemunhos da propaganda, censura e campos de trabalho que viram o seu fim com a revolução de veludo, em 1989. Também a Torre Zizkov é um testemunho da época comunista da cidade: originalmente construída para intercetar sinais televisivos do “ocidente decadente”, a torre está hoje convertida num elegante restaurante-bar panorâmico. São 216 metros que provam que Praga jamais se deixará derrotar pelos momentos difíceis da história: celebrá-los sem nunca os esquecer é ponto de honra nesta cidade sobrevivente.

 

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