Austrália: cinco razões para visitar

Um país que é um continente e que fica do outro lado do mundo. Mas, antípodas à parte, a Austrália tem muito para oferecer, desde paisagens lunares, interrompidas por misteriosos monólitos, a cidades francamente cosmopolitas. Juntando a isto o maior recife de coral do mundo e uma fascinante cultura indígena só resta perguntar: mas do que é que estão à espera?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uluru

Os geólogos chamam-lhe um inselberg (do alemão monte-ilha) mas nada no seu nome nos prepara para a visão deste monte vermelho que parece irromper da planície circundante como um monumento místico. É talvez o marco natural mais visitado do país e com boa razão. São 348 metros de altura e nove quilómetros e meio de circunferência desta rocha que adquire uma cor avermelhada de madrugada e ao pôr-do-sol. Rebatizado pelos colonos europeus de Ayer’s Rock, nos últimos anos, e por respeito à cultura aborígene, que sempre viu este marco como um local sagrado, passou a ser referido pelo nome que os autóctones lhe atribuíram. Se estiver a planear subi-lo, fica a advertência: trata-se de uma escalada extremamente exigente em termos físicos (a menos que esteja em excelente condição, nem deve tentá-la). Além do mais, grupos ativistas aborígenes têm vindo a alertar as consciências dos turistas: este é um local de culto milenar e preferem que não seja diariamente calcorreado. De qualquer forma, a vista mais impressionante é o próprio monte em si. Olhando em volta, do alto, ver-se-á rodeado pelo deserto.

 

 

 

Sidney

Dizem os habitantes de Sidney que umas semanas na cidade “estragam” os visitantes para o exercício da vida urbana em qualquer outro ponto do mundo. Então vejamos: bom tempo durante quase todo o ano, eventos culturais constantes, praia, desporto, qualidade de vida e segurança. Junta-se a isto uma cultura gourmet que promete a melhor culinária de fusão do mundo, deliciosa street food um pouco por toda a parte e o que é temos? Uns respondem o melhor marisco do mundo, outros, o melhor cappuccino do mundo… Mas uma coisa é certa, ninguém sai daqui sem ser deliciado e saciado! Conheça a Chinatown, a ópera de Sidney (mesmo que não a visite por dentro o exterior serve com frequência como tela de projeção de obras de arte gráfica), os Royal Botanic Gardens ou o Jardim Zoológico com vista para o mar! Respire a atmosfera relaxada de Bondi Beach, onde havaianas são consideradas calçado apropriado para o trabalho! Os mercados de rua e as lojinhas de designers locais fazem desta cidade um destino inigualável para amantes de tudo o há de bom numa cidade: animação, alegria, estilo e descontração.

 

 

 

Grande Barreira de Coral

Outra maravilha da natureza (e a Austrália, com a sua invulgar fauna e flora, está bem equipada nesta categoria), a Grande Barreira de Coral, situada entre o norte da Austrália e a Papua Nova Guiné é um dos maiores trunfos turísticos do país. Esta estrutura viva, composta por milhares de pequenos organismos, é responsável por uma extraordinária biodiversidade marinha, que faz da zona um grande chamariz para mergulhadores. Mas existem várias formas de conhecer este magnífico monumento: nos barcos de fundo de fibra de vidro, nos chamados live-aboard (indicados para os fanáticos do mergulho, pois servem de abrigo e local de pernoita para vários dias) ou até, para um panorama bem diferente, num passeio de helicóptero! Como em outros locais protegidos aconselha-se o máximo cuidado aos visitantes: o coral é muito frágil, está ameaçado, e algo tão simples como a respiração humana ou o protetor solar podem danificá-lo. Uma vez que a Grande Barreira de Coral tem vindo a diminuir nas últimas décadas, todo o cuidado é pouco – em caso de dúvida, pergunte ao seu guia como proceder.

 

 

 

Cultura Aborígene

Como é sobejamente reconhecido, a política do governo australiano foi ao longo dos séculos XIX e XX particularmente cruel para com os primeiros habitantes do continente. Felizmente, aos poucos, o panorama começa a alterar-se. Livros como “O Canto Nómada”, de Bruce Chatwin, muito fizeram para trazer à consciência popular o movimento de direitos aborígenes e por instigar a crescente estima pela arte dos seus pintores. Hoje, é possível fazer uma excursão com uma operadora aborígene, o que é uma excelente oportunidade de conhecer um pouco mais desta complexa cultura e, ao mesmo tempo, de garantir o acesso a zonas tradicionalmente inacessíveis, que a maioria dos turistas nunca chega a conhecer. A oeste, a região conhecida como “The Kimberley” é tida como a “última fronteira”, de uma natureza intocada e onde, nos últimos anos, se começaram a estabelecer eco-resorts e alojamentos em comunidades tradicionais. Pode aí fazer cruzeiros fluviais ou tours de caiaque e ficar a conhecer o lado mais bravio da Austrália.

 

 

 

Tasmânia

Os primeiros colonos chamavam-lhe “ Inglaterra do Sul”, o que já de si permite adivinhar, a quem não saiba, que a ilha da Tasmânia tem um clima bastante diferente da vizinha Austrália. Separada da massa continental há cerca de 12 mil anos, na Tasmânia evoluiu uma flora e fauna muito característica (desta última, o mais conhecido é sem dúvida o Diabo da Tasmânia, popularizado pela sua versão cartoon). Aqui, reina a floresta temperada e a paisagem alpina, no que pode ser descrito como um paraíso para amantes da natureza e dos desportos outdoor. Mais de 2000 km de trilhos pedestres, 18 parques naturais (qualquer coisa como um terço do território total da ilha), cavernas, rápidos, asa delta, escalada, vela, mas também campos de golfe e pistas de ciclismo fazem da ilha um nome cada vez mais sonante do mundo do turismo de aventura. Hobart, a capital, é a segunda sede de governo mais antiga da Austrália, mas não cresceu como as suas homónimas nos estados do continente. Tem ainda algo de britânico (sem dúvida por causa do clima e da arquitetura) e, apesar de pequena, muito a oferecer em termos de produção cultural e mercados de rua.

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