Bruges: um conto de fadas em terras belgas

 

 

Esta cidade, que parece inspirada num livro de contos, ficou pela primeira vez famosa no século XIX, quando foi descoberta por turistas ingleses e franceses. E desde então nunca mais saiu de moda. Venha conhecê-la melhor!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É uma das “Venezas do Norte” (Estocolmo, Copenhaga e São Petersburgo também disputam o título) e uma das pequenas cidades europeias que ao longo do ano mais visitantes recebe. De facto, Bruges praticamente não tem “época baixa”, de tal forma se tornou num destino popular. Mas a primavera é uma altura particularmente encantadora para descobrir esta cidade medieval de bucólicos canais e belas ruas empedradas.

 

Foi durante os séculos XIII e XIV que Bruges se transformou numa presença de força e fausto entre as cidades da Liga Hanseática e a França. Os seus fiadores e tecelões ganharam a fama de melhores da Europa e os pintores da Escola Flamenga tornaram-se populares nas cortes do continente. Para conhecer mais da arte flamenga, não só a pintura, mas também a riquíssima arte sacra que pode visitar nas muitas igrejas da cidade, visite o Groeningemuseum, onde poderá contemplar as obras do mestre Jan Van Eyck e as fabulosas paisagens que associamos ao Renascimento flamengo.

 

 

 

 

 

Mas primeiro talvez seja aconselhável dirigir-se ao centro da cidade, mais concretamente à praça Markt, rodeada de edifícios medievais com aprazíveis esplanadas e cercada por aquelas típicas e charmosas carruagens puxadas a cavalo, que são um clássico das cidades medievais. Suba ao campanário de Bruges, que domina a praça, e deite os olhos sobre esta pitoresca localidade do alto dos seus 83m (mas chegue cedo, pois a fila é quase certa) ou verifique em que dias será tocado o seu famoso carrilhão, composto por 47 sinos. Lá em baixo, bem no centro, está a estátua de Jan Breydel e Pieter de Coninck, instigadores da revolta contra a corte francesa que culminou na Batalha de Courtrai. Todo este espaço é palco frequente de celebrações populares, eventos, feiras e concertos, e no Natal encontra aqui um engraçado mercado. O edifício neogótico Provinciaal Hof serviu como local de reunião do governo provincial da Flandres até 1999 e hoje é utilizado como museu. Na praça mais pequena, Burg, pode ver uma das sedes de governo mais antigas da Europa, o Stadhuis, em todo o seu excesso e esplendor góticos.

 

 

 

 

Se for a Bruges durante um fim de semana é provável que se sinta intimidado pela quantidade de turistas. Mas se tal vier a acontecer, não se preocupe, pois tem várias opções: relaxe num passeio de barco pelos canais, passeie num jardim, demore-se um pouco mais a beber um chocolate quente, evite as ruas principais ou refugie-se no Begijnhof. As beguinarias foram um fenómeno tipicamente francês e dos países baixos durante o século XIII: no caso, um complexo de habitação para mulheres laicas que viviam aí e trabalhavam fora. Esta, atualmente um convento beneditino, mantem uma aura de serenidade que a torna num oásis de paz bem no centro da cidade, com as suas típicas casas brancas em torno de um extenso relvado. Já o Parque Minnewater é um grande espaço verde que serve de local para instalações de arte contemporânea mas que também é a casa do famoso “Cactus Music Festival”, em julho.

 

 

 

 

Um passeio de bicicleta é igualmente um excelente programa para uma manhã ou tarde numa cidade em que 90% das estradas estão preparadas para ciclistas. São de fácil aluguer e parqueamento e num instante se chega até aos moinhos de vento do século XVIII que se erguem a leste da cidade. Aproveite para ver um pouco da paisagem e, se tiver mais fôlego, pedale até Zeebrugge, onde poderá dar um saltinho à praia!

 

 

 

 

 

De tudo o que é tipicamente belga convém não deixar passar os waffles, que pode comprar em qualquer rua do centro, o chocolate, as batatas fritas, a cerveja e o artesanato. Para o chocolate e batatas fritas é fácil: dirija-se aos respetivos museus, o Choco-Story, onde pode participar num workshop sobre cacau e provar alguns bombons, e o Frietmuseum, onde pode provar batatinhas acabadas de fazer. Para a cerveja artesanal, o restaurante De Halveman é um dos favoritos dos visitantes. Para objetos de design e brinquedos, a loja Callebert é bastante popular.

 

Depois de tudo isto ainda resta explorar o bairro de Sint-Anna e as muitas igrejas: Onze-Lieve-Vrouwekerk, onde está uma estátua de Miguel Ângelo, a única obra do artista a sair de Itália ainda durante o seu período de vida; a gótica Jerusalemkerek, com o altar com motivos de caveiras ou o mausoléu de mármore negro que se diz conter apenas o coração de Anselmo Adornes; Sint-Salvador, transformada em catedral no século XIX, ou a Igreja de Nossa Senhora.

Bruges é uma cidade feita para descobrir a pé (ou de bicicleta), e que apesar de pequena revela muito mais dos seus atrativos se aí ficar mais do que um dia. Explore, descubra e renda-se aos seus encantos!

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