Cinco Destinos de Carnaval

 

 

Chega bem cedo este ano para alegrar os corações dos foliões: a terça-feira gorda aterra já dia 9 de fevereiro e até lá resta pouco tempo para sonhar e voar rumo a um destes destinos cheios de música, cor e festa!

 

 

 

 

 

 

 

Rio de Janeiro

 

Talvez o Carnaval mais iconográfico do nosso imaginário, e por boas razões. A dimensão desta festa no Rio dispensa apresentações e tem poucos rivais (em especial fora do Brasil) e as escolas de samba da cidade servem de inspiração pelo mundo fora. Difícil, mesmo, é conseguir assistir aos desfiles em cima da hora, por isso não deixe os preparativos para o último minuto, já que os bilhetes para o Sambódromo podem ser adquiridos com alguma antecedência. Há outros eventos a requerer bilhete: é o caso da visita à Cidade do Samba, a zona de armazéns das escolas do Grupo Especial (Beija-Flor, Mangueira, Portela, etc.), onde cada uma tem um espaço próprio para a produção do guarda-roupa e dos carros alegóricos e que abre as portas aos visitantes durante o período. O mesmo se aplica a dois famosos bailes: o do Rio Scala e o do Copacapana Palace. Se planear bem ainda poderá ter a experiência de imersão completa: cantar e dançar num bloco pela avenida Marquês de Sapucaí fora! Para isso só terá de encomendar o seu fato e assistir aos ensaios nas instalações da escola de samba da sua escolha. Aliás, para melhor se familiarizar com os enredos, visitá-las em dia de ensaio técnico é também uma experiência a não perder!

 

 

 

 

Veneza

 

É o Carnaval europeu clássico, aquele que tem as raízes históricas mais antigas e ricas. Teve início no século XI, altura em que tinha a duração de dois meses, até que no final do século XVIII cai em desgraça. Para tal muito contribuíram as interdições legais contra os mascarados, desde sempre uma tradição inseparável do entrudo de Veneza, pelos supostos atos contra a ordem e a moral estabelecida que se praticavam sob disfarce. Inspirados em grande parte na Commedia Dell’Arte, os trajes clássicos são os de Arlequim, Pantaleão, Colombina, Pierrô, Polichinelo ou o do Médico da Peste. A partir dos anos 70, o crescimento do turismo na “sereníssima” trouxe também de volta os festejos. Os bailes são na Piazza di San Marco e, ainda hoje, o concurso de máscara mais bonita é o ponto alto da festa. Bailes privados e bem luxuosos acontecem também um pouco por toda a cidade, mas para esses precisará de bilhete ou convite. Para apreciadores de arte e história este é o Carnaval mais inspirador e mágico!

 

 

 

 

Trinidad e Tobago

 

O Carnaval das Caraíbas tem raízes históricas longínquas e a sua importância é tal que foi recriado pelos emigrantes destas ilhas nas cidades em que se fixaram, dando origem ao Caribana de Toronto, ao Carnaval de Miami e ao Carnaval de Notting Hill, em Londres. O carnaval chegou a Trinidad e Tobago através dos colonos franceses e espanhóis. Mas foram os festejos dos escravos – impedidos, claro, de participar nas galas dos senhores – que deram origem à farra a que hoje assistimos. O Canboulay, como ficou conhecido, foi também o berço do calipso, o famoso género musical que acompanha os desfiles e tem lugar de honra: as bandas que acompanham os “bandos” (equivalentes às escolas de samba brasileiras) batalham pelo altamente competitivo título de Banda do Ano. Liderados por rei e rainha, que também vão a concurso, os grupos desfilam pelas avenidas de Porto de Espanha, com os seus coloridos e exuberantes trajes. Para um festival verdadeiramente multicultural e tropical, este é o destino certo!

 

 

 

 

Nova Orleães

 

Aqui, a terça-feira gorda é mardi-gras, fruto da presença francesa nesta região do estado norte-americano do Louisiana. A época “abre” oficialmente a 6 de janeiro, mas os maiores desfiles dão-se no fim de semana antes do Carnaval. As krewes mais famosas apresentam-se por esta ordem: Bacchus e Endymion, no sábado e domingo, Orpheus e Zulu, na segunda, e Mardi Gras Indians, na terça. Não cometa o erro comum de rumar ao French Quarter e a Bourbon Street: aí só passam desfiles secundários, porque os carros alegóricos têm dimensões demasiado grandes para essas ruas. É ao longo de Charles Avenue e até Canal Street que terá as melhores vistas para a parada. Também não se preocupe em alugar uma varanda (projeto muito difícil, aliás, pois a maioria é reservada com anos de antecedência). Esta é uma festa de rua e é por aí que vai poder apanhar todas as prendas atiradas pelos foliões nos desfiles: colares de contas, dobrões com o símbolo de cada krewe, pequenos brindes e peluches. Não se esqueça ainda de provar o famoso king cake, muito parecido com o nosso bolo-rei e típico desta altura do ano!

 

Goa

 

Fonte:Wikipedia.org

É um festival pouco conhecido, injustamente. Pois o “intruz” (corruptela de entrudo) de Goa é uma herança da presença portuguesa na região durante quatro séculos. Tudo começa com a eleição do Rei Momo para esse ano, três dias antes do carnaval (esta é uma figura que existe em praticamente todos os carnavais, mas que tem aqui especial importância), que assim inaugura os festejos. Margão e Vasco da Gama também têm as suas celebrações, mas é na capital do estado, Pangim, que podemos assistir aos desfiles mais elaborados. Os carros alegóricos são verdadeiros feitos de mestria e criatividade, pois, embora não tenhamos aqui a grandiosidade (e o orçamento) de outras paragens, o resultado final é encantador e reflexo de como esta região ainda tenta preservar tradições culturais portuguesas. Representam-se cenas de profissões tradicionais, da natureza e arquitetura locais e mensagens de cariz social. Em Pagim, o desfile percorre a promenade de Patto até ao Círculo de Miramar, numa bela avenida ladeada de árvores. Os vendedores ambulantes lá estarão para quem quiser adquirir no momento uma máscara ou peruca. Depois é só seguir o decreto do Rei Momo: “Kha, piye and majja kar” – isto é, comei, bebei e festejai! E para fechar com chave de ouro, não deixe de conhecer o já famoso baile carnavalesco “Vermelho e Negro”, no Clube Nacional de Pangim.

 

 

 

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