Europa em flor: os mais belos jardins do continente

Os jardins não são apenas belos na primavera mas é nesta estação que se revelam em toda a sua glória. Pela sua história, beleza e capacidade de inovação, estes cinco são mesmo a não perder!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Orto Botanico di Padua, Itália

 

Criado em 1545 pela República de Veneza como um laboratório vivo para o estudo da botânica, este jardim de Pádua é um excelente ponto de partida para um roteiro pelos espaços verdes da Europa. É o mais antigo jardim botânico na sua localização original e é quase uma viagem no tempo ao século XVI, pois utiliza a forma considerada perfeita nos breviários medievais: um quadrado inscrito num círculo, a forma que encontramos frequentemente em conventos e mosteiros do período. São 22 mil metros quadrados e 3.500 espécies diferentes. Ficou conhecido pela sua coleção de plantas medicinais e os roubos eram tão frequentes que, em 1552, de modo a impedir o acesso às plantas mais preciosas, foi construído um muro que permanece de pé. Possui várias árvores centenárias e a mais conhecida é a “Palmeira de Goethe”, assim conhecida por o autor ter escrito “Ensaio sobre a metamorfose das plantas” após contemplá-la. Em 2014 foi inaugurado o “Jardim da Biodiversidade”, apostado nas novas tecnologias e na sustentabilidade.

 

 

 

 

 

Royal Botanic Gardens, Kew, Grã-Bretanha

 

Da Itália voamos para perto do Tamisa, em Kew, e para jardins que são muito simplesmente a maior coleção de plantas vivas do mundo. Estabeleceram-se em 1840, mas o espaço verde já existia, incluído numa propriedade da nobreza local. Deve a sua estrutura ao pensamento e estética vitorianas: tudo, aí, foi planeado para representar o melhor que o Império Britânico tinha para oferecer ao público. A Casa das Palmeiras foi a primeira utilização em larga escala de ferro forjado e a Casa Temperada é, hoje, a maior estufa daquele período ainda em utilização. As 30 mil espécies botânicas presentes são também reflexo do poderio global do país. Sir Joseph Banks, o famoso botânico e viajante, foi um dos cientistas que imprimiu o cunho a este espaço. Kew foi arquitetado como um espaço de recreio e de estudo e a sua biblioteca possui 750 mil volumes consagrados à botânica. Impressionante pensar que os 121 hectares até têm a sua própria força policial!

 

 

 

 

 

Keukenhof, Holanda

 

O seu nome, singelo, significa “jardim de cozinha”, e foi assim que começou a sua existência: como um jardim de plantas aromáticas, medicinais e de árvores de fruto adjacente ao bosque em redor do Castelo Teligen. Durante o século XV a Condessa Jacqueline da Bavaria conferiu-lhe fama por se dedicar a colher plantas e vegetais nos seus terrenos, uma iniciativa nada habitual para alguém da sua classe social. Já em 1857 dois famoso arquitetos paisagistas, responsáveis pelo Vondelpark, em Amsterdão, redesenharam-nos. Mas foi em 1949 que o jardim adquiriu a sua vertente atual: a Holanda começou a ser sinónimo de túlipas no mercado de flores internacional e que melhor forma de mostrar este produto do que numa espécie de catálogo vivo? São 32 hectares e 800 variedades de túlipa num oceano de cor que é, também, o maior jardim de flores da Europa. Para vê-lo em todo o seu esplendor o melhor é visitá-lo de meio de março a meio de maio, sendo que abril é tido como o mês mais seguro para ver todas as flores no seu melhor.

 

 

 

 

 

Casa e Jardins Monet, Giverny, França

 

Talvez não exista outro jardim no mundo que seja o produto da visão de um artista e que tenha simultaneamente ficado imortalizado na sua obra pictórica. Giverny tornou-se sinónimo do impressionismo, e de Monet, e quando lemos o seu nome mais depressa salta à memória a tela salpicada e diáfana de o “Lago dos Nenúfares” do que o jardim em si. O pintor mudou-se com a família para a pacata Giverny em 1883. E nem ele poderia imaginar de que forma o bucolismo desta antiga quinta viria a marcar a sua obra e a consagrá-la. Durante 40 anos, os mais produtivos da sua carreira, e muitas vezes pondo em causa as finanças domésticas na aquisição de novas espécies, plantou flores, arbustos e árvores ornamentais e de fruto, tentou criar um jardim japonês à imagem daqueles que conhecia das suas gravuras nipónicas preferidas e, acima de tudo, deixou a natureza tomar o seu curso. Monet não apreciava jardins formais, plantava tendo apenas em conta os contrastes de cor e apreciava a assimetria. Apenas o famoso lago e a ponte japonesa foram construídos de raiz para encaixar na sua visão.

 

 

 

 

 

Versailles, França

 

São o oposto diametral de Giverny, mas, à sua semelhança, são igualmente o espelho de uma época. Para o Rei Sol, Luís XVI, o absolutismo, o direito divino, era acompanhado de uma crença na racionalidade, ordem e ciência. E na grandiosidade. Preocupado de que os terrenos circundantes ao palácio não estavam a igualá-lo em opulência, o rei contratou André Le Nôtre para corrigir a situação. E seguiram-se quatro décadas de construção. O resultado é o epítome do que ficou conhecido como estilo francês de design de jardins: a natureza é moldada, encaminhada e travada ao serviço da simetria, dos arabescos e da geometria. As fontes e estátuas ornamentais são tão fundamentais como as plantas. É um jardim para passear, para ver e para se ser visto. E também para demonstrar poder: a famosa Orangerie servia para ostentar as 1000 árvores exóticas em vasos e, em especial, as laranjeiras de fruto doce que chegavam pela primeira vez à Europa, vindas do oriente. Do início da primavera ao outono não perca as “Grands Eaux”, quando todas as fontes são postas em funcionamento ao mesmo tempo.

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