Os dois lados de Banguecoque, a cidade dos anjos

“A cidade dos anjos, grande cidade dos imortais, cidade das nove pedras preciosas, assento do rei, cidade dos palácios reais, lar dos deuses incarnados, erigida por Vishvakarman a pedido de Indra.” O nome cerimonial de Banguecoque é também o mais longo do mundo, o que até lhe valeu uma menção no livro dos recordes, o “Guinness”. Mas esta é também uma cidade de contrastes em que as relíquias do seu passado monárquico convivem com uma modernidade que não dá sinais de abrandar.

 

 

 

 

 

 

De facto, nos últimos anos Banguecoque tem-se transformado numa cidade diferente. Tradicionalmente era o ponto de chegada dos visitantes à Tailândia, mas um local em que se permanecia o menos tempo possível, talvez apenas o suficiente para ver o complexo do Grande Palácio. Uma das suas ruas, Khao San, era, aliás, um dos pontos do globo para o qual convergiam mais mochileiros em busca de alojamento e alimentação ao preço da chuva antes de partirem para as praias e ilhas paradisíacas ao longo da costa. A capital da Tailândia ganhou fama de um local caótico, feio e sujo, enfim, um local de passagem, de “bares, templos e casas de massagem” como se cantava no êxito “One Night in Bangkok”, de 1984. Hoje, tudo mudou.

 

 

 

 

A nova Banguecoque

Nos últimos 30 anos a cidade triplicou de população e a sua área metropolitana tem agora dimensões surpreendentes. Nem a crise económica desacelerou o crescimento. O estabelecimento de inúmeras sedes de empresas multinacionais trouxe uma nova vaga de jovens profissionais à cidade: europeus, americanos e australianos. Banguecoque é agora uma cidade jovem que quer competir com tudo o que de melhor se faz nas metrópoles ocidentais, seja possuindo as melhores lojas de decoração e objetos vintage ou o melhor cappuccino. Para que o choque não seja demasiado intenso, um bom local para começar é o Parque Lumphini, um enorme espaço verde rodeado de arranha-céus, onde se chegaria a pensar estarmos em Nova Iorque não fossem a temperatura, a humidade e os lagartos-monitor que se passeiam pelo jardim como patos ou esquilos. O parque também é um bom ponto de partida porque se encontra no centro dos quatro bairros mais populares desta nova Banguecoque: Silom, Sukhumvit, Sathorn e Siam.

 

 

 

 

 

 

Sathorn é o centro financeiro onde pode, por exemplo, subir ao bar Zoom, no topo do Anantara Sathorn Hotel, e contemplar a vista da cidade de um ponto privilegiado (outro bom bar com vista é o Red Sky Lounge no topo do centro comercial Central World, no bairro Siam), apreciar vários restaurantes de cozinha oriental europeia ou apanhar o skytrain para qualquer ponto da cidade. É aqui que a maioria dos estrangeiros que trabalha em Banguecoque escolhe viver, por isso espere uma grande variedade de lojas e serviços. Silom é um bairro de duas caras: de dia podemos contemplar as sedes de inúmeras instituições financeiras mas à noite o bairro passa a ser um centro de lazer (evite apenas a zona de Patpong). Sukhumvit é também um bairro central com muitas opções de alojamento e onde começam a abundar lojas de comércio de luxo e spas. No entanto, continua a ser um dos melhores locais para provar os sabores da cozinha local a preços muito acessíveis (para mais sobre gastronomia tailandesa ver: http://viajante-abreu.com/2015/viagem-a-gastronomia-tailandesa/).

 

 

 

 

 

 

A Banguecoque antiga

Os bairros onde pode encontrar a cidade antiga são Thonburi e Rattanakosin, embora, claro, uma cidade de raízes históricas tão profundas não chegue a ter zonas completamente demarcadas. Em Thonburi pode visitar a igreja católica portuguesa, Santa Cruz, erigida no século XVI, mas também um santuário chinês e um templo budista. Aqui encontra também o famoso mercado flutuante de Khlong Lat Mayom, onde pode provar todo o género de iguarias locais vendidas a partir de canoas de madeira.

 

 

 

 

 

 

Apanhe o barco para Rattanokosin e saia no Mercado das Flores (Par Klong Talad) para uma entrada maravilhosa e aromática na zona mais antiga da cidade. Aqui vai poder visitar o iconográfico Palácio Real – na verdade, um enorme complexo de edifícios e templos construído em 1782 e que, até há 150 anos, era o domicílio da família real tailandesa e hoje têm sede vários ministérios e departamentos de Estado. Wat Phra Kaew é, sem dúvida, uma das maiores atrações: o Templo do Buda Esmeralda contém a pequena estátua do século XIV, esculpida em jade, que tem uma enorme importância cultural. Ainda hoje o rei muda a roupa da relíquia a cada passagem de estação, num famoso ritual. A dez minutos do palácio, o Wat Pho (ou Wat Phra Chetuphon, o Templo do Buda Reclinado) é outro ponto de passagem popular. Aqui a estátua é bem mais impressionante: 46 metros de comprimento e 15 de altura. Adquira uma tigela de moedas à entrada e vá depositando-as pelas malgas de bronze dentro do complexo – afiançam os monges que assim atrairá as boas graças divinas. Aqui opera também a mais famosa escola de massagem tailandesa, portanto, se quiser experimentar esta relaxante e terapêutica prática, não hesite.

 

Para conhecer um pouco mais da história e cultura deste país tão visitado por turistas mas ainda muito pouco conhecido tem várias opções: o original Museu do Sião (com uma engraçada reprodução de um café dos anos 60) ou o Museu Nacional de Banguecoque, além do Templo da Cúpula Dourada (Wat Saket), onde pode subir até ao topo percorrendo 300 degraus, ou do Templo Loha Prasat, inspirado na arquitetura sacra indiana.

 

Ainda que prefira um ao outro, não deixe de conhecer ambos os rostos de uma das mais vibrantes cidades asiáticas da atualidade!

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