São Tomé e Príncipe, o segredo do Equador

É o segundo país mais pequeno de África (logo após as irredutíveis Seychelles), o que só comprova que, por vezes, as prendas mais espetaculares não precisam de vir metidas em grandes embrulhos. São raros os locais do mundo onde podemos afirmar com toda a certeza que será recebido de braços abertos, acarinhado pelos autóctones e onde poderá sempre contar com uma indicação, uma sugestão, um convite ou um conselho útil que facilmente servirá de porta de entrada para uma longa e prazenteira conversa. E, no entanto, este país é um desses cantinhos especiais. Venha conhecer esta pérola nos 0º de latitude!

 

 

 

 

O Cenário

Se alguma vez sonhou com uma paisagem virginal e luxuriante, São Tomé e a vizinha Príncipe são para si. Aliás, entre os vulcões (inativos) e a variedade de fauna e flora, quase poderíamos imaginar estar numa espécie de Parque Jurássico (felizmente, sem os predadores). O isolamento geográfico das ilhas tornou possível a evolução de formas de vida que não existem em nenhum outro ponto do globo. De facto, estima-se que cerca de 20% das espécies que aí se encontram sejam endémicas. E a floresta continua a revelar segredos anualmente: por exemplo, são descobertas com frequência novas orquídeas e neste momento já se contam 129 diferentes! Nada de espantar, se levarmos em conta que quase 30% do território está coberto de floresta e que, dessa, cerca de metade nunca foi afetada pela ação humana! O Parque Natural Ôbo é o local ideal para quem quer conhecer uma floresta primeva: ocupa 235 km2 na ilha de São Tomé e 85 km2 na ilha de Príncipe. Além de que as ilhas são um paraíso para a observação de aves. Mas também no mar encontramos motivos de interesse, como a observação de baleias (a melhor altura para o fazer é entre julho e setembro) e de tartarugas marinhas (olha-se mais atentamente para as quatro espécies que aqui nidificam entre setembro e março); quanto a mergulho, recomendam-se os meses de dezembro a março como os mais proveitosos para a atividade. Maravilhas como a Boca de Inferno, a Cascata São Nicolau ou o Pico de São Tomé aguardam uma visita. Alugue um carro e parta à descoberta!

 

 

 

 

As pessoas

Como se sabe, até à sua descoberta por navegadores portugueses, no século XV, estas ilhas eram desertas. No século XVI eram já um grande exportador de açúcar e, também, um entreposto importante no tráfico de escravos. No século XIX passou a ser o cacau (e, em menor escala, o café) o seu produto mais lucrativo, posição que, por sinal, mantém até hoje. Muitas das antigas casas senhoriais que faziam parte destes latifúndios foram recuperadas para a atividade turística e recebem atualmente viajantes e hóspedes de todo o mundo. Entre elas, são dignas de nota Ponta do Sol (em Príncipe), Agua Izé, Ribeira Peixe, Monte Café, Roça de São João, Roça de Bombaim, Roça de Monteforte e Sundi. Apesar deste passado difícil e problemático, se há coisa em que todos os visitantes se põe de acordo é no reconhecimento da hospitalidade das gentes que aí encontram. Num mundo em que o turismo parece chegar a todos os cantos do planeta, tornando-os relativamente homogéneos, padronizados e, em partes iguais, indiferentes, insaciáveis e melindrosos face à chegada de mais e mais pessoas, é uma sensação fabulosa chegar a São Tomé e Príncipe e sentir uma simpatia absolutamente genuína.

 

 

 

 

Prazeres

São muitos. Para além da já referida natureza e da simpatia, temos as praias, claro. O que dizer? Águas cristalinas, areais dourados, temperaturas amenas, enfim… Algumas das mais bem cotadas: praia da PM, praia de São Gabriel, Conchas, Lagoa Azul, Governador ou Jalé, em São Tomé; Bom-Bom (o nome diz tudo), Évora ou Banana, em Príncipe e, claro, o ilhéu das Rolas. Mas não fique preso a nomes e muito menos a mapas. Confie no seu instinto, parta à aventura e descubra o seu areal perfeito! No meio disto tudo, não se esqueça, também, que seria quase pecado chegar às chamadas ilhas do chocolate e não provar o produto que lhe deu o epíteto: visite a fábrica Claudio Corallo, onde poderá saber mais sobre o seu processo de transformação e provar algumas especialidades. Por falar em prazeres gastronómicos, não deixe de experimentar o peixe fresco. Aqui, com produções locais de pequena escala, muitos produtos têm de ser importados, com a consequente subida dos preços, mas a exceção é mesmo o peixe e o marisco. Pode não conhecer alguns dos nomes (azeite, abelhudo, olho grande, barracuda), mas não se deixe intimidar: se é fresco, é delicioso, e o mesmo se aplica aos acompanhamentos, como banana frita, fruta-pão, batata-doce e matabala (parecido com a batata). Não esqueça as famosas santolas de Neves, no norte de São Tomé. Tudo acompanhado da cerveja local, a Creola!

 

Dizem que as melhores coisas da vida são de graça. Pode não ser inteiramente verdade, mas neste local pacato do Golfo da Guiné, o ritmo simples, os sorrisos, a comida sem pretensões e a beleza natural fazem sem dúvida repensar o nosso frenético dia-a-dia.

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